Justiça concede liberdade provisória, mas impõe medidas cautelares à suspeita
A turista Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, natural do Rio Grande do Sul, foi colocada em liberdade provisória nesta sexta-feira (23), após passar por audiência de custódia em Salvador. Ela havia sido presa na quarta-feira (21), suspeita de injúria racial contra uma vendedora ambulante negra, no Pelourinho, Centro Histórico da capital baiana.
⚖️ Decisão judicial
Durante a audiência, a defesa solicitou o relaxamento da prisão, argumentando ausência de materialidade do crime e falta de flagrante. No entanto, o juiz responsável considerou que os elementos colhidos na investigação demonstram a ocorrência do delito.
Mesmo assim, atendendo ao posicionamento do Ministério Público da Bahia (MP-BA), a Justiça optou pela liberdade provisória, com a aplicação de medidas cautelares substitutivas da prisão.
📌 Medidas cautelares impostas
- Comparecer a todos os atos do processo, sempre que intimada;
- Manter o endereço atualizado nos autos;
- Comparecer bimestralmente em Juízo, pelo período de um ano, para informar e justificar suas atividades;
- Não se ausentar da comarca de Porto Alegre por mais de 10 dias sem autorização judicial;
- Proibição de acesso ou frequência à Praça das Artes, no Pelourinho;
- Proibição de manter contato com a vítima e com as testemunhas.
🚨 O que aconteceu no Pelourinho
O crime ocorreu na Praça das Artes, durante um evento gratuito. Em entrevista à TV Bahia, a vítima, identificada como Hanna, relatou que trabalhava no bar do evento quando foi alvo das ofensas.
“Eu fiz uma venda e retirei o balde de um cliente. Quando passei, ela disse: ‘Vai mais um lixo’. Eu questionei, e ela reafirmou que eu era um lixo e ainda cuspiu em mim”, contou.
Segundo a comerciante, após o episódio, a suspeita tentou deixar o local e acabou se envolvendo em outras confusões, sendo contida pela segurança do evento.
🗣️ Relatos reforçam teor racista
Ainda de acordo com a vítima, a turista mantinha contato visual e repetia frases como “eu sou branca”, reforçando o teor discriminatório da conduta.
A prisão foi efetuada por equipes da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin).
🏛️ Conduta continuou na delegacia
Após o registro da ocorrência, Gisele foi conduzida à sede da Decrin. Conforme informações da polícia, a mulher manteve comportamento discriminatório também na unidade policial, chegando a solicitar atendimento exclusivo por um delegado de pele branca.
📞 Defesa não se manifestou
A reportagem tentou contato com a defesa de Gisele Madrid Spencer Cesar, mas não obteve retorno até a última atualização.
Fonte: G1 Bahia











