O vácuo de poder deixado pela captura cinematográfica de Nicolás Maduro gerou uma reação imediata — e conflitante — em Caracas e na Flórida. Enquanto o chavismo tenta manter o controle institucional, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou planos de intervir diretamente na gestão do país, descartando aliados óbvios.
Neste sábado (3), o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela agiu rápido: determinou que a vice-presidente, Delcy Rodríguez, assuma interinamente os poderes presidenciais para “garantir a defesa integral da Nação” diante da “ausência forçada” de Maduro.
A Resistência em Caracas
Em um pronunciamento ao lado da cúpula do regime — incluindo seu irmão Jorge Rodríguez e o “número dois” do chavismo, Diosdado Cabello —, Delcy classificou a operação americana como um “sequestro”.
“A Venezuela só tem um presidente: Nicolás Maduro. (…) Nunca seremos colônia de nenhuma nação”, disparou Delcy, convocando a população a resistir.
Apesar da retórica, a decisão do TSJ busca dar um verniz de legalidade para que Delcy opere a máquina pública enquanto Maduro e a primeira-dama Cilia Flores são transportados em um navio de guerra rumo a um tribunal em Nova York.
O Plano Trump: “Doutrina Monroe” e o Fim de María Corina
Direto de Mar-a-Lago, Donald Trump delineou um futuro diferente. Ele anunciou que os EUA não pretendem apenas supervisionar, mas “administrar a Venezuela” através de um grupo de alto escalão americano até que uma transição seja possível.
O discurso trouxe duas surpresas bombásticas:
O Descarte da Oposição: Trump afirmou que o grupo de transição não incluirá María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025.
“É uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito que merece na Venezuela e não tem apoio interno”, justificou Trump, ignorando a liderança da opositora.
Negociação Secreta: O presidente americano revelou que seu secretário de Estado, Marco Rubio, mantém diálogos com a própria Delcy Rodríguez, que estaria “disposta a fazer o que for preciso”.
Para justificar a intervenção direta, Trump invocou a Doutrina Monroe, uma política do século XIX: “O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”.
Redação











