Conitec aponta alto custo e impacto orçamentário como principais entraves para incorporação do imunizante
O Ministério da Saúde decidiu não incorporar, neste momento, a vacina para prevenção do herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU).
A medida se baseia em parecer técnico da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que avaliou a eficácia, o impacto financeiro e a relação custo-benefício do imunizante.
💉 Para quem a vacina é indicada
A vacina recombinante adjuvada contra o herpes-zóster é indicada para:
- Idosos com 80 anos ou mais
- Pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos
Apesar de reconhecer a importância da prevenção da doença, a Conitec avaliou que o custo atual da vacina inviabiliza sua adoção em larga escala no sistema público.
“O Comitê de Medicamentos reconheceu a importância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas destacou que considerações adicionais sobre a oferta de preço precisam ser negociadas, de modo a alcançar um valor com impacto orçamentário sustentável para o SUS.”
📊 Impacto financeiro pesou na decisão
De acordo com o relatório técnico, a incorporação da vacina teria um impacto elevado nas contas públicas:
- Vacinação de 1,5 milhão de pessoas por ano: custo estimado de R$ 1,2 bilhão anuais
- No quinto ano, vacinação de 471 mil pessoas restantes: cerca de R$ 380 milhões
- Investimento total em cinco anos: aproximadamente R$ 5,2 bilhões
Com esses números, a vacina foi considerada não custo-efetiva para o SUS no cenário atual.
🔄 Possibilidade de reavaliação
Segundo a portaria publicada, a decisão não é definitiva. A incorporação poderá ser reavaliada pela Conitec caso surjam novos dados científicos ou uma redução significativa no preço do imunizante.
🦠 O que é o herpes-zóster
O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece inativo no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, especialmente em pessoas idosas ou com imunidade comprometida.
Os sintomas iniciais incluem dor, queimação, coceira, febre baixa e cansaço. Em seguida, surgem lesões na pele, geralmente em apenas um lado do corpo, acompanhando o trajeto de um nervo.
🏥 Tratamento disponível no SUS
O SUS oferece tratamento conforme a gravidade do caso:
- Casos leves: medicamentos para dor, febre e coceira, além de cuidados com a pele
- Casos graves ou de risco: uso do antiviral aciclovir
📈 Números da doença no Brasil
Dados oficiais do SUS mostram que, entre 2008 e 2024, foram registrados:
- 85.888 atendimentos ambulatoriais
- 30.801 internações por herpes-zóster
Já entre 2007 e 2023, o país contabilizou 1.567 óbitos pela doença. Cerca de 90% das mortes ocorreram em pessoas com 50 anos ou mais, sendo 53,4% em idosos acima dos 80 anos.
Fonte: Agência Brasil











