Ibovespa tem maior alta desde 2023, dólar cai ao menor nível em mais de um mês e clima externo anima investidores
O mercado financeiro brasileiro viveu um dia histórico nesta quarta-feira (21), impulsionado por um forte alívio no cenário internacional. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) registrou a maior alta diária desde abril de 2023, renovou sucessivos recordes e se aproximou dos 172 mil pontos, enquanto o dólar caiu mais de 1% e fechou no menor patamar desde o início de dezembro.
📊 Ibovespa renova máximas e atrai capital estrangeiro
O Ibovespa encerrou o pregão aos 171.817 pontos, com valorização de 3,33%. Ao longo do dia, o índice superou pela primeira vez as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos, em uma trajetória firme desde a abertura.
O volume financeiro movimentado chegou a R$ 43,3 bilhões, muito acima da média diária de 2026, evidenciando o aumento do apetite por risco. No acumulado do ano, o Ibovespa já sobe 6,6%, com entrada líquida de R$ 7,6 bilhões de investidores estrangeiros até a metade de janeiro.
🌍 Trump recua e mercados globais respiram
O movimento ganhou força no período da tarde, acompanhando a recuperação dos mercados internacionais. O principal gatilho foi a mudança de discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recuou de ameaças tarifárias e descartou o uso da força em disputas geopolíticas envolvendo a Groenlândia.
Em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou que foi formado “o arcabouço de um futuro acordo” com relação à Groenlândia e à região do Ártico e anunciou que não imporá as tarifas previstas para 1º de fevereiro. O presidente também reconheceu o desconforto dos mercados com sua retórica recente.
A sinalização de distensão provocou reação imediata em Wall Street. O S&P 500 subiu mais de 1,5%, ajudando a reverter a maior queda das ações norte-americanas em três meses e reforçando o clima positivo nos mercados emergentes.
💵 Dólar cai e fecha no menor nível desde dezembro
No câmbio, o dólar à vista recuou R$ 0,061 (-1,1%) e fechou cotado a R$ 5,321. A moeda norte-americana operou em baixa durante todo o dia, mas intensificou a queda após o recuo de Trump na imposição de tarifas à União Europeia.
Esse é o menor nível desde 4 de dezembro. Em 2026, o dólar já acumula queda de 3,06%, refletindo tanto o cenário externo mais favorável quanto o aumento do fluxo de capital para o Brasil.
🔄 Fluxo positivo sustenta otimismo
Dados do Banco Central mostram que o Brasil registrou entrada líquida de US$ 1,54 bilhão em janeiro até o dia 16, puxada principalmente pela via financeira. A queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, considerados os mais seguros do mundo, também contribuiu para aliviar a pressão cambial.
Com juros mais baixos em economias avançadas, investidores tendem a buscar retornos maiores em mercados emergentes, como o brasileiro. Nem mesmo a liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pelo Banco Master, foi capaz de abalar o humor positivo do mercado.
Fonte: Reuters / informações de mercado financeiro e cenário internacional











