O governo brasileiro acompanha com atenção os desdobramentos do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que começa na próxima terça-feira (2) na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A análise interna é de que uma eventual condenação pode desencadear uma nova onda de sanções por parte dos Estados Unidos, aprofundando a crise diplomática entre os dois países.
⚖️ STF julga núcleo da tentativa de golpe
Bolsonaro é apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como o “principal articulador, maior beneficiário e autor” das ações que culminaram na tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. O julgamento envolve também outros acusados que integrariam o núcleo central da articulação golpista.
Pressão americana e tarifas comerciais
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem citado o caso como justificativa para a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, em vigor desde 6 de agosto. Fontes do governo brasileiro indicam que Trump tem pressionado pelo encerramento dos processos contra Bolsonaro, elevando a tensão diplomática a uma “fase crítica”1.
Há receio de que uma condenação leve a sanções adicionais, inclusive contra ministros do STF, como já ocorreu com Alexandre de Moraes, alvo da Lei Magnitsky — legislação americana que permite punições a autoridades estrangeiras envolvidas em violações de direitos humanos4.
🔁 Lei de Reciprocidade e estratégias de resposta
Apesar da escalada, o Palácio do Planalto afirma que o processo de abertura da chamada Lei de Reciprocidade — que permite retaliações comerciais — já estava previsto e não tem relação direta com o julgamento. A medida é vista como uma forma de garantir respaldo legal para eventuais reações políticas e econômicas.
Por ora, o governo descarta sobretaxas a produtos americanos, buscando preservar o setor produtivo nacional. No entanto, alternativas estão em estudo, como:
- 💊 Quebra de patentes de medicamentos
- 📱 Tributação de serviços digitais, como plataformas de streaming
- 📉 Suspensão de exceções tarifárias concedidas anteriormente
🧭 Caminho diplomático ainda incerto
Embora o Brasil tenha sinalizado abertura para negociações, Washington tem evitado conversas formais sobre o tema. A expectativa do governo Lula é que o início do processo de reciprocidade possa abrir espaço para o diálogo, mas há cautela sobre os próximos passos.
“O Brasil não precisa ficar de cabeça baixa para os EUA”, afirmou o presidente Lula em entrevista recente, reforçando o tom nacionalista diante das sanções.
Redação