Evento religioso e cultural marcado por fé e tradição em Salvador enfrenta episódios de violência com policía militar morto em assalto e tiroteio em festa paralela
Um dos dias mais emblemáticos do calendário religioso da Bahia — a Lavagem do Senhor do Bonfim — foi marcado não só pela fé e tradições culturais nesta quinta-feira (15), mas também por graves episódios de violência em Salvador. Em um dos acontecimentos, o capitão Osniésio Pereira Salomão, da 18ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), foi baleado durante uma tentativa de assalto e não resistiu aos ferimentos na Avenida Contorno, em frente à Bahia Marina.
Confronto com suspeitos e morte do policial

O capitão Salomão reagiu a uma tentativa de roubo quando foi atingido por disparos de arma de fogo. Ele chegou a ser socorrido e levado à Unidade de Pronto Atendimento dos Barris, mas acabou morrendo em decorrência dos ferimentos.
Na mesma ocorrência, um dos suspeitos envolvidos no assalto também foi morto durante a troca de tiros, enquanto um segundo conseguiu fugir e é procurado pelas autoridades. As equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil foram acionadas para isolar a área e dar início às investigações.
Violência paralela na Lavagem do Bonfim
Enquanto o cortejo religioso seguia seu percurso — que começa na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e segue até o Santuário do Senhor do Bonfim — outro episódio violento chamou a atenção: um tiroteio em uma festa de rua (chamada de “paredão”) na Ladeira da Água Brusca, em Salvador, terminou com um homem morto e pelo menos oito pessoas feridas.
Testemunhas relataram que cerca de 20 disparos foram efetuados na região, e equipes de socorro foram acionadas para prestar atendimento às vítimas no local. As circunstâncias e a motivação do ataque estão sendo apuradas pela polícia.
Esquema de segurança reforçado para festa tradicional
A Lavagem do Bonfim de 2026 contou com um robusto esquema de segurança coordenado pelas forças estaduais e municipais. A Secretaria da Segurança Pública da Bahia mobilizou mais de 2.100 policiais e bombeiros, com uso de tecnologia como reconhecimento facial, drones e monitoramento por câmeras ao longo dos aproximadamente oito quilômetros do cortejo.
A Polícia Civil participou com Delegacias Especiais de Área e equipes em campo para atender ocorrências e investigar crimes, além da presença de unidades móveis da Polícia Técnica para agilizar perícias durante o percurso.
Calor, desmaios e resposta dos Bombeiros
Além dos episódios violentos, o forte calor na manhã da Lavagem provocou vários casos de desmaios entre os participantes. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, pelo menos oito ocorrências de mal-estar foram registradas até o final da manhã devido à alta temperatura e à desidratação.
Reações e protestos durante a celebração
A festa, tradicional na capital baiana há mais de dois séculos, também foi palco de protestos. Manifestantes receberam o governador Jerônimo Rodrigues com vaias e cartazes cobrando ações mais efetivas no combate à violência no estado — em especial após altos índices de homicídios e letalidade policial registrados nos últimos anos.
Tradição religiosa e simbologia
A Lavagem do Senhor do Bonfim é um dos eventos mais expressivos da cultura baiana, combinando fé católica, sincretismo religioso e manifestações populares como a participação das baianas com cântaros de água perfumada para lavar as escadarias do Santuário do Bonfim, simbolizando purificação e proteção.
Mesmo diante dos episódios negativos que ocorreram em 2026, as autoridades e organizadores reforçam o compromisso de intensificar a segurança em eventos públicos de grande porte e promover ações que garantam tranquilidade e respeito à tradição e à integridade dos participantes.
Fonte: Redação











