O governo federal enfrenta uma decisão decisiva para a política industrial brasileira nos próximos dias. No dia 31 de janeiro, vence o prazo da isenção do imposto de importação para veículos eletrificados que chegam ao país nos formatos CKD e SKD (kits desmontados ou semimontados).
A medida afeta diretamente a BYD, que utiliza esse modelo em sua recém-inaugurada fábrica de Camaçari (BA). Enquanto a montadora chinesa tenta prorrogar o benefício para consolidar sua produção local, a Anfavea (que representa marcas como VW, Toyota e GM) intensificou a pressão sobre Brasília para que a isenção chegue ao fim.
Entenda os modelos de produção em jogo
A polêmica gira em torno da profundidade da industrialização nacional. Montar um carro a partir de kits importados exige menos infraestrutura do que produzi-lo do zero no país.
- CKD (Completely Knocked Down): O veículo chega totalmente desmontado. A fábrica local realiza a montagem completa e, muitas vezes, a pintura e a solda, integrando mais componentes nacionais.
- SKD (Semi Knocked Down): O carro chega em grandes módulos semimontados. A “fábrica” realiza apenas a montagem final de conjuntos maiores.
Os argumentos da Anfavea: Risco de Desindustrialização
A Anfavea entregou ao governo projeções alarmantes sobre a manutenção da isenção. Segundo a entidade, a facilidade em importar kits com alíquota zero desestimula o investimento em fábricas completas no Brasil:
- Empregos em Risco: Perda estimada de 69 mil empregos diretos e 227 mil postos indiretos na cadeia de suprimentos.
- Impacto Econômico: Perda de arrecadação e enfraquecimento de centros de engenharia e universidades brasileiras.
- Concorrência Desleal: As montadoras tradicionais alegam que a medida favorece uma “importação disfarçada”, prejudicando quem já possui plantas industriais completas no país.
Redação com informações do Correio











