Parentes e amigos dos velejadores condenados na África por tráfico de drogas fazem protesto em Salvador

Parentes e amigos dos velejadores condenados na África por tráfico de drogas fazem protesto em Salvador

Familiares e amigos dos velejadores brasileiros condenados a 10 anos de prisão por tráfico internacional de drogas, em Cabo Verde, na África, após serem presos com uma tonelada de cocaína em um barco, realizaram uma manifestação na manhã deste domingo (15), no Porto da Barra, em Salvador.

Foram condenados em Cabo Verde os velejadores baianos Rodrigo Dantas e Daniel Dantas, além do gaúcho Daniel Guerra e o capitão da embarcação, de naturalidade francesa, Olivier Thomas.

O ato começou por volta das 10h, em frente ao Forte de Santa Maria. Os manifestantes estavam vestidos de branco e exibiam bandeiras do Brasil e faixas com diversas mensagens. Uma delas perguntava “Onde está o dono do barco?”, em referência ao inglês George Fox, que está foragido.

Por volta das 11h, embarcações começaram de diversos pontos da capital baiana chegaram ao local. Do mar, cerca de 20 lanchas, caiaques, canoa havaianas e veleiros fizeram um buzinaço, que foi acompanhado por um apitaço pelso manifestantes que estavam em terra. O protesto também contou com o auxílio de um carro de som.

Os familiares dos velejadores soltaram ainda balões nas cores verde e amarela, e então, por volta das 12h, o ato foi encerrado.

Recurso

A defesa dos velejadores entrou com recurso contra a condenação na Justiça de Cabo Verde. A defesa entregou o documento na quinta-feira (12). Os familiares dos velejadores afirmam que eles não sabiam que a droga estava no barco. Para eles, os velejadores foram vítimas de uma armação e a droga pode ter sido colocada no barco sem que eles soubessem.

Um inquérito da Polícia Federal brasileira que inocentaria os velejadores brasileiros não foi aceito pela Justiça de Cabo Verde.

De acordo com o advogado do velejador Rodrigo Dantas, Maurício Matos, a justiça pode levar de quatro a seis meses para dar um retorno sobre o recurso. “Apesar de tudo, confiamos na justiça de Cabo Verde e acreditamos que essa sentença seja um caso isolado de um juiz extremamente autoritário e vaidoso, que anda com duas armas na cintura”, disse o advogado à imprensa.

O pai de Rodrigo, João Dantas, está confiante. “Acredito que ele vai voltar em breve porque as provas de defesa apresentadas são contundentes”, afirma.

A família e o advogado acusam o juiz de ser parcial. Eles informaram que o magistrado colocou na sentença que o inquérito da Polícia Federal, que ajudaria a inocentar os velejadores, foi encomendado pela família.

Caso

Tudo começou após um anúncio de emprego na internet. Foi assim que Rodrigo Dantas, de 25 anos, decidiu encarar o desafio de atravessar oceano Atlântico para entregar um veleiro na Ilha de Açores, em Portugal.

O anúncio procurava velejadores para compor a tripulação do veleiro que tinha acabado de ser reformado em um estaleiro em Salvador. Era uma oferta de trabalho de uma empresa internacional de recrutamento de mão-de-obra.

Rodrigo e outro velejador baiano, Daniel Dantas, foram contratados pela mesma empresa, a Yatch Delivery Company, com sede na Holanda. Em Natal, o gaúcho Daniel Guerra se juntou à equipe. Antes de sair do Brasil em agosto, o veleiro passou por inspeções da Polícia Federal em Salvador e em Natal.

O barco foi liberado sem que nenhuma irregularidade fosse encontrada, mas na Ilha de Mindelo, em Cabo Verde, o veleiro foi mais uma vez inspecionado e mais de uma tonelada de cocaína foi encontrada escondida em um piso de concreto e cimento na embarcação.

O barco pertence a um inglês, conhecido como George Fox, que só foi apresentado à tripulação na véspera da viagem. Ele está sendo procurado.

Rodrigo ficou durante quatro meses em liberdade condicional em Cabo Verde mas foi preso novamente em dezembro do ano passado.

 

Fonte: G1